Quais são os riscos da gravidez na adolescência?
O Brasil teve queda nos índices de gestação precoce, mas números ainda são alarmantes.
A gravidez na adolescência é um grave e complexo problema de saúde pública em nosso país. Para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), é um dos principais fatores que contribui para a mortalidade materna e infantil, para o ciclo de doenças e a desigualdade social. No Brasil, embora o número de casos venha caindo nos últimos anos, ainda é muito alto: são mais de 380 mil por ano, sendo a maioria a partir dos 15 anos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera gravidez na adolescência qualquer gestação que ocorra entre 10 e 20 anos de idade, sendo dos 10 aos 15 a faixa etária que apresenta maior risco.
Principais riscos e consequências
Uma gestação precoce impacta em diversos aspectos tanto da vida da mãe adolescente quanto do bebê.
Independente de ser ou não desejada, ela pode elevar o risco de morte do binômio, aumentando ainda as chances de parto prematuro, anemia, aborto espontâneo, eclâmpsia, diabetes gestacional e doenças hipertensivas. O bebê corre riscos, ainda, de desenvolver malformações, restrição do crescimento e complicações relacionadas à prematuridade.
Mas o impacto vai muito além dos sintomas físicos: o psicológico e o social também são afetados. De acordo com dados do Ministério da Educação de 2016, a gravidez na adolescência é responsável por cerca de 18% dos casos de abandono escolar. Sem a educação adequada, a inserção dessas meninas nas universidades e/ou no mercado de trabalho é ainda mais desafiadora.
Cerca de 80% das adolescentes grávidas são abandonadas pelos parceiros, recaindo sobre elas e suas famílias a total responsabilidade para com a criança. Além disso, a maior parte dos casos atinge meninas pretas, pobres e periféricas, que não possuem estrutura financeira sólida e nem suporte social adequado.
A saúde mental também precisa ser levada em conta: muitas garotas sofrem de depressão durante a gestação ou após o parto, afora transtornos de autoestima e autoimagem devido às bruscas mudanças corporais ao longo da gravidez.
Como abordar a gravidez na adolescência
Existe uma maneira eficaz de abordar a gravidez na adolescência?
Em 2019, a Lei nº 13.798, que inclui no Estatuto da Criança e do Adolescente o artigo 8º A, institui a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, com o objetivo de disseminar informações e conscientizar os jovens a respeito de medidas preventivas e educativas que contribuam com a redução dos casos de gestação precoce.
De acordo com o Ministério da Saúde, 66% das gestações em adolescentes são indesejadas, e geralmente ocorrem por desinformação, falta de apoio de redes familiares e comunitárias, abusos, entre outras razões.
A inserção de aulas de educação sexual nas escolas, além de redes de apoio e acolhimento para crianças e jovens, é fundamental para a conscientização sobre o tema, evitando não somente gestações precoces, mas combatendo também questões como infecções sexualmente transmissíveis, abuso sexual dentro e fora de casa, e casos de violência. É importante que haja rodas de conversa, além de utilizar as mídias a seu favor, instruindo os jovens através de uma comunicação que gere identificação.
A família também deve se envolver através de ações e intervenções no âmbito familiar, conversas abertas e honestas acerca da saúde sexual e reprodutiva, uso de métodos contraceptivos e informações sobre planejamento familiar.
Também é importante destacar o uso de métodos preventivos simultâneos, como pílula e preservativos, além de promover o conhecimento acerca de métodos de longa duração como os DIUs e implantes hormonais.
O acompanhamento com um ginecologista desde os primeiros sinais da puberdade também deve ser levado em conta, dentro das possibilidades de cada família. O atendimento personalizado e individual é essencial para esclarecer dúvidas e garantir a saúde ginecológica da adolescente.
A gravidez é um momento especial para qualquer família, desde que seja uma escolha responsável, planejada e consciente. Quando ocorre no processo de maturidade que é a adolescência, o que acontece é a desestruturação da família.
A educação e o conhecimento são imprescindíveis para combater as taxas de gestação precoce em nosso país, garantindo um futuro mais próspero para os nossos jovens.